21.1.08

Hoc erat in votis


Se te cortar ao meio,

de co-r-po,

há um mar que te engole

na língua de uma lasca

de espuma Rui,

quando te vejo,

no lugar onde nunca estou,

quadrado, frio, chão,

numa tira de pele

sem rede de trapezista,

servida quente,

crua,

sem sal nem tinto,

aceitando o sono,

faz-me furacão

sombra de um céu

à janela somados,

faiscamos,

recobrindo outras voltas

na entrega de um rasto,

e,

inventas-me,

na noite dos dias

que a tua pele amanhece,

como uma ária,

não parando o sonho

que de vermelho se veste,

prometendo um tão feliz,

para o sorriso esquecido

de um beijo sem memória,

no tecido da saliva,

como uma folha branca,

arctando o gemido

deste som que polvilha,

a cama,

o chão,

e o telhado da varanda

que junto ao céu se abriga,

na cenografia deste instante

teu

.

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